terça-feira, 17 de abril de 2012

Seminário de Teorias do Texto


Romance sonâmbulo
Federico Garcia Lorca
(A Gloria Giner e a
Fernando de los Rios)



Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco vai sobre o mar
e o cavalo na montanha.
Com a sombra pela cintura
ela sonha na varanda,
verde carne, tranças verdes,
com olhos de fria prata.
Verde que te quero verde.
Por sob a lua gitana,
as coisas estão mirando-a
e ela não pode mirá-las.

Verde que te quero verde.
Grandes estrelas de escarcha
nascem com o peixe de sombra
que rasga o caminho da alva.
A figueira raspa o vento
a lixá-lo com as ramas,
e o monte, gato selvagem,
eriça as piteiras ásperas.

Mas quem virá? E por onde?...
Ela fica na varanda,
verde carne, tranças verdes,
ela sonha na água amarga.
— Compadre, dou meu cavalo
em troca de sua casa,
o arreio por seu espelho,
a faca por sua manta.
Compadre, venho sangrando
desde as passagens de Cabra.
— Se pudesse, meu mocinho,
esse negócio eu fechava.
No entanto eu já não sou eu,
nem a casa é minha casa.
— Compadre, quero morrer
com decência, em minha cama.
De ferro, se for possível,
e com lençóis de cambraia.
Não vês que enorme ferida
vai de meu peito à garganta?
— Trezentas rosas morenas
traz tua camisa branca.
Ressuma teu sangue e cheira
em redor de tua faixa.
No entanto eu já não sou eu,
nem a casa é minha casa.
— Que eu possa subir ao menos
até às altas varandas.
Que eu possa subir! que o possa
até às verdes varandas.
As balaustradas da lua
por onde retumba a água.

Já sobem os dois compadres
até às altas varandas.
Deixando um rastro de sangue.
Deixando um rastro de lágrimas.
Tremiam pelos telhados
pequenos faróis de lata.
Mil pandeiros de cristal
feriam a madrugada.

Verde que te quero verde,
verde vento, verdes ramas.
Os dois compadres subiram.
O vasto vento deixava
na boca um gosto esquisito
de menta, fel e alfavaca.
— Que é dela, compadre, dize-me
que é de tua filha amarga?
— Quantas vezes te esperou!
Quantas vezes te esperara,
rosto fresco, negras tranças,
aqui na verde varanda!

Sobre a face da cisterna
balançava-se a gitana.
Verde carne, tranças verdes,
com olhos de fria prata.
Ponta gelada de lua
sustenta-a por cima da água.
A noite se fez tão íntima
como uma pequena praça.
Lá fora, à porta, golpeando,
guardas-civis na cachaça.
Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco vai sobre o mar.
E o cavalo na montanha.

Federico Garcia Lorca
 nasceu na região de Granada, na Espanha, em 05 de junho de 1898, e faleceu nos arredores de Granada no dia 19 de agosto de 1936, assassinado pelos "Nacionalistas". Nessa ocasião o general Franco dava início à guerra civil espanhola. Apesar de nunca ter sido comunista - apenas um socialista convicto que havia tomado posição a favor da República - Lorca, então com 38 anos, foi preso por um deputado católico direitista que justificou sua prisão sob a alegação de que ele era "mais perigoso com a caneta do que outros com o revólver." Avesso à violência, o poeta, como homossexual que era, sabia muito bem o quanto era doloroso sentir-se ameaçado e perseguido. Nessa época, suas peças teatrais "A casa de Bernarda Alba", "Yerma", "Bodas de sangue", "Dona Rosita, a solteira" e outras, eram encenadas com sucesso. Sua execução, com um tiro na nuca, teve repercussão mundial.

A poesia acima foi extraída de sua "
Antologia Poética", Editora Leitura S. A. - Rio de Janeiro, 1966, pág. 53, tradução e seleção de Afonso Felix de Sousa.

Vale apena conferir o vídeo do poema Às cinco da tarde, também trabalhado em sala de aula. 


terça-feira, 20 de março de 2012

Refletindo...

A palavra é "apenas" um conjunto de letras ou sons de uma língua, que representam o pensamento humano. Muitas vezes os homens se esquecem desse grande poder que possuem, através da palavra o homem transforma o mundo ao seu redor.


terça-feira, 13 de março de 2012

Compreensões essenciais



Primeiramente acreditamos de grande importância postar algumas perspectivas sobre assuntos que estamos abordando constantemente no curso de letras como:

·        Linguagem

Ø      Faculdade de expressão e comunicação que faz uso de um sistema de signos convencionais;
Ø      Varia no tempo, em questões sociais e culturais;
Ø      Linguagem é ação entre dois indivíduos em um espaço socialmente determinados;
Ø      É uso em sociedade, segmentos sociais que dentro dele tem pessoas que agem, você adquiri e pratica a linguagem em sociedade;
Ø      Tem que ser uma interação, atividade e ação;
Ø      Pode se referir a “comunicação” em diversas áreas;
Ø      Representa uma determinada classe social, ela expõe nosso ponto de vista e como nos posicionamos, vêem sempre representando um pensamento ideológico, usamos a linguagem de acordo com os papeis sociais;
Ø      É multimodal;

·        Língua  

Ø     É um tipo de linguagem e um tipo específico de comunicação;
Ø     Fenômeno vivo se transforma com o tempo, tem variações por classe social, região, faixa etária, profissão etc.;
Ø     Representação identitária;
Ø     Modalidades escrita e falada, a língua escrita é produzida em situações diferenciadas da língua falada;
Ø     Convenção estabelecida pela sociedade;
Ø     Uma forma particular da linguagem, porque é com a língua que nos comunicamos e sociabilizamos;
Ø     A língua é condição para produzir a fala, não há língua sem fala;
Ø     Está no nível social, no coletivo, do conhecimento da competência;
Ø     Reflete a cultura que temos;
Ø     Sistema, conjunto de códigos;

·        Texto

Ø      Texto como frase complexa ou signo linguístico mais alto na hierarquia do sistema linguístico (concepção de base gramatical);
Ø      Texto como signo complexo (concepção de base semiótica);
Ø      Texto como expansão tematicamente centrada de        macroestruturas (concepção de base semântica);
Ø      Texto como ato de fala complexo(concepção de base pragmática);
Ø      Texto como discurso ‘congelado’, como produto acabado de uma ação discursiva (concepção de base discursiva);
Ø      Texto como meio específico de realização da comunicação verbal (concepção de base comunicativa);
Ø      Texto como processo que mobiliza operações e processos cognitivos (concepção de base cognitivista);
Ø      Texto como lugar de interação entre atores sociais e de        construção interacional de sentidos (concepção de base        sociocognitiva-interacional)”. (KOCH; 2009 – Introdução à        Linguística Textual, ed. Martins fontes)
Ø      O texto pode ser oral ou escrito. É construído no processo das relações interacionais, constituindo-se num todo significativo, independentemente de sua extensão. Sua produção/compreensão mobiliza competências não só linguísticas como também extralinguísticas (conhecimento de mundo, saber enciclopédico, determinações socioculturais, ideológicas etc).” (BRANDÃO, Helena H. Nagamine)
Ø      O Texto será entendido como uma unidade linguística concreta (perceptível pela visão ou audição), que é tomada pelos usuários da língua (falante, escritor/ouvinte, leitor), em uma situação de interação comunicativa específica, como uma unidade de sentido e como preenchendo uma função comunicativa reconhecível e reconhecida, independentemente de sua extensão. Dessa forma o texto será o resultado, o produto concreto da atividade comunicativa que se faz seguindo regras e princípios discursivos sócio-historicamente estabelecidos que têm de ser considerados.( KOCH e TRAVAGLIA, Luiz Carlos)
Ø      PCN:“Texto é o resultado linguístico da interação verbal (discurso), é um todo significativo constituído por relações de coesão e coerência, originado no interior de um outro texto (intertextualidade);
A organização textual ocorre dentro de determinado gênero discursivo por causa das intenções comunicativas (parte das condições de produção dos discursos) para usos sociais. Por serem históricos, os gêneros possuem formas relativamente estáveis e disponíveis, sendo caracterizados por conteúdo temático, construção composicional (tipos de texto) e estilo (língua; léxico e gramática). São famílias de textos, isto é, textos que possuem características (estruturas) comuns (visão geral, suporte/portador, extensão, grau de literariedade), sendo, portanto, ilimitados.
Ø      Enfim, uma concepção provisória de texto:
Na concepção interacional (dialógica) da língua, na qual os sujeito são vistos como atores/construtores sociais, o texto passa a ser considerado o próprio lugar da interação e os interlocutores, sujeitos ativos que – dialogicamente – nele se constroem e por ele são construídos. A produção de linguagem constitui atividade interativa altamente complexa de produção de sentidos, que se realiza, evidentemente, com base nos elementos linguísticos presentes na superfície textual e na sua forma de organização, mas que requer não apenas um vasto conjunto de saberes (enciclopédia), mas a sua reconstrução – e a dos próprios sujeitos – no momento da interação verbal.

BIBLIOGRAFIA:
Curso: Língua portuguesa e Literatura (lato sensu do CCL)
Prof.: Ms. Adalto Moraes de Souza