quarta-feira, 16 de maio de 2012

Linguística Geral - Seminário


Ensinar as variedades da língua destacando a norma padrão.

Sequência Didática
Turma: 7ª Série

Ø      Selecionar uma música para iniciar a discussão sobre as variedades da língua, partindo do interesse dos alunos, vamos levantar questões para perceber a perspectiva dos alunos e quais são seus conhecimentos prévios em relação a norma culta;  ( É muito importante estar atento a realidade dos alunos e perceber o que pode chamar atenção deles, construindo assim um aprendizado mas eficaz)

Ø      Elaborar exercícios que façam os alunos entender a importância de dominar as variedades da língua – Quadrinhos

Ø      Para fazer o aluno entender bem o motivo de aprender a norma culta levar o trecho de livro didático Por Uma Vida Melhor :

Brasília - O livro Por uma Vida Melhor foi distribuído pelo Ministério da Educação (MEC) para turmas de educação de jovens e adultos (EJA) em todo o Brasil. A publicação causou polêmica ao incluir frases com erro de concordância em uma lição que apresentava a diferença da norma culta e a falada.
Confira abaixo trechos do livro sobre o assunto:
 “É importante saber o seguinte: as duas variantes [norma culta e popular] são eficientes como meios de comunicação. A classe dominante utiliza a norma culta principalmente por ter maior acesso à escolaridade e por seu uso ser um sinal de prestígio. Nesse sentido, é comum que se atribua um preconceito social em relação à variante popular, usada pela maioria dos brasileiros”
 “'Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado'. Você pode estar se perguntando: ‘Mas eu posso falar ‘os livro?’.’ Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico. Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para a norma culta como padrão de correção de todas as formas linguísticas. O falante, portanto, tem de ser capaz de usar a variante adequada da língua para cada ocasião”
 “Na variedade popular, contudo, é comum a concordância funcionar de outra forma. Há ocorrências como:
Nós pega o peixe.
nós - 1ª pessoa, plural
pega - 3ª pessoa, singular
Os menino pega o peixe.
menino - 3ª pessoa, ideia de plural (por causa do “os”)
pega - 3ª pessoa, singular
Nos dois exemplos, apesar de o verbo estar no singular, quem ouve a frase sabe que há mais de uma pessoa envolvida na ação de pegar o peixe. Mais uma vez, é importante que o falante de português domine as duas variedades e escolha a que julgar adequada à sua situação de fala.”
 “É comum que se atribua um preconceito social em relação à variante popular, usada pela maioria dos brasileiros. Esse preconceito não é de razão linguística, mas social. Por isso, um falante deve dominar as diversas variantes porque cada uma tem seu lugar na comunicação cotidiana.”
 “A norma culta existe tanto na linguagem escrita como na linguagem oral, ou seja, quando escrevemos um bilhete a um amigo, podemos ser informais, porém, quando escrevemos um requerimento, por exemplo, devemos ser formais, utilizando a norma culta. Algo semelhante ocorre quando falamos: conversar com uma autoridade exige uma fala formal, enquanto é natural conversarmos com as pessoas de nossa família de maneira espontânea, informal.”
 (eles precisam aprender a norma culta para ocasiões específicas e importantes na vida)

Ø      Após toda contextualização das variedades da língua é preciso ensinar as regras dessa língua de uma forma lúdica e significativa sempre considerando o interesse do aluno para assim obtermos uma aprendizagem mais eficaz, mostrando ao aluno a importância de estarem aprendendo todas essas regras. 


Para uma aula diversificada vamos explorar as cantigas que a grande maioria dos alunos conhecem, mostrando que a norma culta não é a mais adequada em determinadas situações.

CANTIGAS DE RODA NA NORMA CULTA  CAI-CAI BALÃOVersão original:  "Cai-cai balão, Cai-cai balão  Aqui na minha mão.  Não vou lá, não vou lá, não vou lá  Tenho medo de apanhar!"Versão na norma culta:  "Precipita-precipita aeróstato mais leve que o ar, Precipita aqui na palma de meus artelhos superiores.  Não vou me deslocar até lá, não vou me deslocar até lá...  Tenho medo de ser atingido por objetos contundentes."ATIREI O PAU NO GATOVersão original:  Atirei o pau no gato-to,  Mas o gato-to não morreu-rreu-rreu.  Dona Chica-ca admirou-se-se  Com o berro, com o berro que o gato deu: MIAUUUUUU!!!!!Versão na norma culta:  "Arremessei o projétil ao felino-no,  Porém o felino-no não veio a falecer-cer-cer  Progenitora Francisca-ca ficou estupefata-ta  Com o som emitido pelo animal... Onomatopéia referente aos felinos!!!!"O SAPO NÃO LAVA O PÉVersão original:  O sapo não lava o pé,  não lava porque não quer.  Ele mora lá na lagoa,  e não lava o pé porque não quer Mas que chulé!Versão na norma culta:  "O dendrobata não pratica higiene pedicular,  não pratica higiene pedicular pois não é de seu feitio.  Ele reside em ambiente lacustre,  não pratica higiene pedicular porque não é de seu feitio!  Que mau odor proveniente dos seus artelhos inferiores!" 

terça-feira, 15 de maio de 2012

Gêneros e Língua

Trabalhar com gêneros é conhecer o social o mundo, os gênero textual ou discursivo, são complexos, de grande variedade e estão sempre em movimento, mas possuem um relativa estabilidade.

Segundo Bakhtin  os gêneros possuem tema, organização composicional e estilo." Cada esfera da atividade humana elabora, em sua comunicação, tipos estáveis e diversificados de enunciados: os gêneros discursivos"

Bronckart diz que todo texto pertence sempre a um gênero apresentando propriedade genéricas resultantes da escolha de um gênero textual que parece adaptar-se a situação, mas tem especifidades sempre únicas que derivam  das escolhas dos produtos em função de situação de produção particular.

Os gêneros se caracterizam: (Dolz e Schneuwly)
- Pelos conteúdos  que são (ou tornam dizíveis)
- Pela estrutura comunicativa
- Por um conjunto de unidades de linguagem, pelos conjuntos particulares de sequências textuais e pelos tipos discursivos que formam a estrutura textual

Com base nesses autores e nas aulas apresentada durante o primeiro semestre apresentamos aqui algumas formas diferentes formas de usar gêneros para falar sobre a linguagem:

Gênero: Quadrinhos- reconhecemos por seu formato, o modo que aparecem suas ilustrações e falas( dentro de balões ). Este quadrinho aborda assuntos como:
-Uma preocupação com as regras da língua de acordo com a norma padrão
-Diferença de fala nas diferentes idades
- Gírias usadas na internet atualmente
-Vícios de linguagem (gerundismo)




Gênero: Show - reconhecido por sua estrutura ter geralmente um palco,luzes,cortinas, cenário, platéia, apresentador. Este vídeo traz um vício de linguagem muito comum entre os falantes o pleonasmo. Essas redundâncias ao falar podem ser proposicionais ou não, na grande maioria são repetições desnecessárias.  




Gênero: Receita- reconhecida pela forma em que está divida ingredientes, modo de preparo, tempo necessário. Nesse exemplo o gênero receita é trabalhado de outra forma a explicação de como ser um bom aluno se apropria do gênero receita.


Como fazer um bom aluno

Ingredientes:
10g de pontualidade;
50g de responsabilidade;
100g de empenho;
500g de estudo:
150g de inteligência;
300g de interesse;

tempo de preparação: longos anos.
Grau de dificuldade: é fácil, mas é preciso ter força de vontade para ser um bom aluno.

Modo de fazer:
Junte 10g de pontualidade com 50g de responsabilidade e 100g de empenho; misture tudo até ter isto tudo bem incorporado.
Numa forma diferente, adicione, as 150g de inteligência com 300g de interesse.
Junte tudo e vai ao forno.
Depois de estar tudo pronto acrescente as 500g de estudo quando precisar.
E assim fica pronto o bom aluno. 

Gênero: Notícia- a Notícia é reconhecia principalmente por seu enunciado.

Língua: código, expressão ou interação?
Se o dilema "espelhamento ou construção" na relação entre linguagem e realidade social estimulou debates por décadas, o que dizer da relação entre a visão de mundo do professor e o ensino?

Por Gabriela de Paiva Gomes Albuquerque, Tiago Lessas José de Almeida e Iran Ferreira de Melo

Muito já se tem dito sobre o fato de que toda prática pedagógica está sempre baseada em algum posicionamento político-ideológico. O ensino de língua portuguesa não foge à regra, tendo, nesse caso, a raiz de tal posicionamento construída a partir da concepção de língua que o/a professor/a vai adotar. Você já parou para pensar nisso?
A edificação das principais teorias que conhecemos hoje sobre a língua se deve a uma série de esforços teóricos que surgiram no rastro de vários estudos desenvolvidos durante o século XX. Podemos resumir tais estudos em três macro concepções que orientam a linguística contemporânea e, consequentemente, o ensino de língua. Vamos conhecê-las.
Por ordem cronológica, as seguintes concepções vêm se apresentando como hegemônicas nas diversas investigações científicas com a linguagem.

1. Língua como expressão do pensamento 
Nessa concepção, a língua é produzida mentalmente de maneira individual, intrínseca e sob a organização lógica do raciocínio. As atividades de linguagem se realizam nessa perspectiva independentemente das circunstâncias situacionais, sócio-históricas, culturais e políticas em que ocorrem.

2. Língua como um instrumento de comunicação 
Opondo-se à primeira concepção, esta segunda visão sobre a língua a entende como um conjunto de códigos autônomos e externos ao indivíduo, motivados socialmente, que serve essencialmente para a troca de informações (comunicação). Entretanto, seu funcionamento também independe do contexto de realização.

3. Língua como interação social
Já esta terceira concepção compreende a língua como uma atividade social não somente usada para comunicar, mas também para realizar ações através da interação social e cognitiva entre os falantes. Esta visão leva em conta as situações de interlocução nas quais a língua se realiza e a influência de fatores de diversas ordens no curso dessas situações.

Mas de que maneira podemos perceber a intervenção dessas três concepções no ensino de língua portuguesa? Até que ponto o modo como o/a educador/a concebe a linguagem influenciará na forma de educar?


Visão de mundo e educação 
Vejamos. Em um de seus memoráveis livros, O texto na sala de aula, o professor da Unicamp João Wanderley Geraldi apresenta a diferença entre ensinar uma língua e ensinar metalinguagem. Nele, o mestre Geraldi defende que a postura do docente dentro da sala de aula evidencia seu posicionamento político e isso interfere também significativamente nos métodos e conteúdos que escolhe. Em outras palavras, como expomos, isso se refere à ideia de que toda prática pedagógica se articula através de uma opção política. Para ele, a forma de enxergar a sociedade influencia diretamente na maneira de ensinar e tudo que a envolve. Há, por exemplo, uma estreita relação entre o baixo nível do desempenho linguístico por estudantes e o conceito de língua difundido na escola. Eis aí a nossa principal questão! Muito do aprendizado de nossos alunos com a linguagem depende da forma como abordamos o uso e a reflexão da língua em sala de aula.

Em linhas gerais, podemos dizer que o efeito do ensino de língua portuguesa variará a depender da maneira que o/a professor/a conduzir político-ideologicamente a sua prática pedagógica, isto é, a depender da escolha de estratégias que vão desde a seleção de conteúdos até o modo de avaliação. E isso tudo, ainda que o/a docente não perceba, está ligado à concepção que ele/ela adotar. Conceber a língua como mecanismo da expressão do pensamento ou código para comunicação recairá no ensino reducionista ou, como chamamos, formalista, mas entender a língua como prática social será o primeiro passo para estudá-la de uma forma mais explanatória e compreendê-la como um processo intersubjetivo, contextualizado, funcional e, portanto, sob uma abordagem funcionalista.

FORMALISMO 
Vamos entender um pouco melhor esses dois paradigmas. No primeiro caso - paradigma formalista - a língua é concebida como um fenômeno suficiente em si, independente de qualquer fator externo a ela, já no segundo - paradigma funcionalista- a compreendemos como uma prática interconectada a várias outras da vida social, sem as quais não seria possível se manifestar. Ambos fundamentos agendam suas pesquisas distintamente, caracterizando seu objeto de estudo e instituindo seus objetivos de maneira oposta entre si.

Ao ensino formalista interessa descrever ou mapear a manifestação da linguagem em termos de compreensão dos aspectos imanentes aos textos, desconsiderando a intervenção dos elementos históricos, ideológicos e culturais na organização interna do sistema linguístico. Por exemplo, caso o/a educador/a pretenda discutir a produção de um artigo de opinião em sala de aula, levará em conta apenas a composição desse gênero de texto sob a perspectiva da frase na sua relação fonológica, morfológica e sintática, ou, no máximo, questões relativas ao sentido gerado no interior de uma proposição, a partir do efeito de uso da pontuação ou da manifestação da ambiguidade lexical. Esse estudo não consideraria, por exemplo, o suporte onde o artigo é veiculado (rádio, jornal, internet); a modalidade em que é produzido (oral ou escrita); a identidade do autor (crítico de arte, professor universitário, literato); ou o motivo da produção textual (se responde, complementa ou reforça um outro artigo). Em outros termos, não faria parte dos objetivos de uma aula formalista sobre a produção de artigos de opinião entender as condições de realização do texto, mas apenas a estrutura elementar interna dele (a forma). E no que isso acarretaria para a aprendizagem dos alunos, professor/a?
A maior de todas implicações é a ideia de que os sujeitos da linguagem ocupam o lugar apenas de reprodutor e decodificador de mensagens, os sentidos são pré-estabelecidos à realização verbal e o texto é entendido como um amontoado de sentenças, que possui coerência somente a partir de seus elementos internos, de dentro para fora, sem qualquer referência aos vários contextos em que está inserido (sociocultural e cognitivo, por exemplo).
FUNCIONALISMO
Por outro lado, o paradigma funcionalista baseia-se em dois pressupostos: o de que a linguagem tem funções externas a si e o de que essas funções influenciam a sua organização interna. No ensino funcionalista, a linguagem deve ser estudada a partir dessa interação com os seus elementos extrínsecos. Isso significa que o Funcionalismo tem por objetivo descrever a interface entre os aspectos exteriores que circundam a linguagem e o sistema interno desta, sendo, portanto, um modelo dialético e abrangente de estudos, pois investiga como a forma atua no significado e como as funções externas do sistema linguístico influenciam na forma.

Nesse caso, a identidade e o papel social dos usuários de uma língua são levados em conta ao se analisar um texto, pois, de acordo com o Funcionalismo, ambos interferem na maneira como os próprios usuários lidam com a linguagem. Isso é notório ao analisarmos os vários mecanismos de utilização da linguagem no nosso cotidiano. Um deles, por exemplo, é a marcação da polidez numa conversa. O uso de formas verbais que constroem o grau de polidez é regulado pela relação que os interlocutores mantêm entre si: um indivíduo, na interação com quem mantém relação hierárquica (filho em relação ao pai, aluno em relação ao professor), marca comumente sua fala com elementos que representam polidez (verbos no modo hipotético, ou subjuntivo "eu“ gostaria"” para não demonstrar autoridade; tratamentos honoríficos, como "senhor", "doutor", a fim de nãogerar intimidade; etc.). Esses e outros exemplos prosaicos revelam a interferência constante das condições externas da linguagem na seleção e organização formal dos textos.
Isso quer dizer que se constitui funcionalista qualquer teoria da linguagem que descreve um texto associando as categorias que o compõem internamente - elementos referenciais, lexicais, icônicos, etc. - a aspectos do entorno de sua produção e consumo - cognição social, cultura dos interlocutores, etc.
O que isso quer dizer? Em última instância, precisamos pensar quais os nossos objetivos enquanto educadores/as. Visamos a uma formação humanística, voltada para a formação de uma consciência crítica dos nossos alunos ou queremos apenas que memorizem o necessário para passar no vestibular? Já dizia o pai da linguística, Ferdinand de Saussure: “o ponto de vista muda o objeto”. Não podemos continuar reproduzindo fórmulas pedagógicas ultrapassadas, em que o ensino de Português restringe-se apenas ao ensino descontextualizado e abstrato de gramática, desligando a língua das situações reais de comunicação.

FORMALISMO E FUNCIONALISMO
O formalismo e o funcionalismo são dois paradigmas que orientaram os estudos linguísticos nas últimas décadas. Segue abaixo um quadro comparativo que sumariza pontos-chave das duas perspectivas e nos facilita a compreensão de como ambas as formas de conceber a linguagem marcaram as teorias linguísticas contemporâneas.


*Gabriela de Paiva Gomes Albuquerque e Tiago Lessas José de Almeida são alunos de Letras da UFPE. Iran Ferreira de Melo é professor do Departamento de Letras da UFPE e doutorando em Língua Portuguesa pela USP.



Percebe-se então que o gênero tem uma estrutura básica e são padrões de comportamentos já estabelecidos socialmente, praticas relativamente instáveis por suas mudanças através do tempo:
Carta -> E-mail
Diário -> Blog
Conversa ao telefone -> MSN
 Apesar dessa transmutação que ocorre, um gênero sempre acaba levando algumas características do antigo  gênero.



terça-feira, 17 de abril de 2012

Seminário de Teorias do Texto


Romance sonâmbulo
Federico Garcia Lorca
(A Gloria Giner e a
Fernando de los Rios)



Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco vai sobre o mar
e o cavalo na montanha.
Com a sombra pela cintura
ela sonha na varanda,
verde carne, tranças verdes,
com olhos de fria prata.
Verde que te quero verde.
Por sob a lua gitana,
as coisas estão mirando-a
e ela não pode mirá-las.

Verde que te quero verde.
Grandes estrelas de escarcha
nascem com o peixe de sombra
que rasga o caminho da alva.
A figueira raspa o vento
a lixá-lo com as ramas,
e o monte, gato selvagem,
eriça as piteiras ásperas.

Mas quem virá? E por onde?...
Ela fica na varanda,
verde carne, tranças verdes,
ela sonha na água amarga.
— Compadre, dou meu cavalo
em troca de sua casa,
o arreio por seu espelho,
a faca por sua manta.
Compadre, venho sangrando
desde as passagens de Cabra.
— Se pudesse, meu mocinho,
esse negócio eu fechava.
No entanto eu já não sou eu,
nem a casa é minha casa.
— Compadre, quero morrer
com decência, em minha cama.
De ferro, se for possível,
e com lençóis de cambraia.
Não vês que enorme ferida
vai de meu peito à garganta?
— Trezentas rosas morenas
traz tua camisa branca.
Ressuma teu sangue e cheira
em redor de tua faixa.
No entanto eu já não sou eu,
nem a casa é minha casa.
— Que eu possa subir ao menos
até às altas varandas.
Que eu possa subir! que o possa
até às verdes varandas.
As balaustradas da lua
por onde retumba a água.

Já sobem os dois compadres
até às altas varandas.
Deixando um rastro de sangue.
Deixando um rastro de lágrimas.
Tremiam pelos telhados
pequenos faróis de lata.
Mil pandeiros de cristal
feriam a madrugada.

Verde que te quero verde,
verde vento, verdes ramas.
Os dois compadres subiram.
O vasto vento deixava
na boca um gosto esquisito
de menta, fel e alfavaca.
— Que é dela, compadre, dize-me
que é de tua filha amarga?
— Quantas vezes te esperou!
Quantas vezes te esperara,
rosto fresco, negras tranças,
aqui na verde varanda!

Sobre a face da cisterna
balançava-se a gitana.
Verde carne, tranças verdes,
com olhos de fria prata.
Ponta gelada de lua
sustenta-a por cima da água.
A noite se fez tão íntima
como uma pequena praça.
Lá fora, à porta, golpeando,
guardas-civis na cachaça.
Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco vai sobre o mar.
E o cavalo na montanha.

Federico Garcia Lorca
 nasceu na região de Granada, na Espanha, em 05 de junho de 1898, e faleceu nos arredores de Granada no dia 19 de agosto de 1936, assassinado pelos "Nacionalistas". Nessa ocasião o general Franco dava início à guerra civil espanhola. Apesar de nunca ter sido comunista - apenas um socialista convicto que havia tomado posição a favor da República - Lorca, então com 38 anos, foi preso por um deputado católico direitista que justificou sua prisão sob a alegação de que ele era "mais perigoso com a caneta do que outros com o revólver." Avesso à violência, o poeta, como homossexual que era, sabia muito bem o quanto era doloroso sentir-se ameaçado e perseguido. Nessa época, suas peças teatrais "A casa de Bernarda Alba", "Yerma", "Bodas de sangue", "Dona Rosita, a solteira" e outras, eram encenadas com sucesso. Sua execução, com um tiro na nuca, teve repercussão mundial.

A poesia acima foi extraída de sua "
Antologia Poética", Editora Leitura S. A. - Rio de Janeiro, 1966, pág. 53, tradução e seleção de Afonso Felix de Sousa.

Vale apena conferir o vídeo do poema Às cinco da tarde, também trabalhado em sala de aula. 


terça-feira, 20 de março de 2012

Refletindo...

A palavra é "apenas" um conjunto de letras ou sons de uma língua, que representam o pensamento humano. Muitas vezes os homens se esquecem desse grande poder que possuem, através da palavra o homem transforma o mundo ao seu redor.


terça-feira, 13 de março de 2012

Compreensões essenciais



Primeiramente acreditamos de grande importância postar algumas perspectivas sobre assuntos que estamos abordando constantemente no curso de letras como:

·        Linguagem

Ø      Faculdade de expressão e comunicação que faz uso de um sistema de signos convencionais;
Ø      Varia no tempo, em questões sociais e culturais;
Ø      Linguagem é ação entre dois indivíduos em um espaço socialmente determinados;
Ø      É uso em sociedade, segmentos sociais que dentro dele tem pessoas que agem, você adquiri e pratica a linguagem em sociedade;
Ø      Tem que ser uma interação, atividade e ação;
Ø      Pode se referir a “comunicação” em diversas áreas;
Ø      Representa uma determinada classe social, ela expõe nosso ponto de vista e como nos posicionamos, vêem sempre representando um pensamento ideológico, usamos a linguagem de acordo com os papeis sociais;
Ø      É multimodal;

·        Língua  

Ø     É um tipo de linguagem e um tipo específico de comunicação;
Ø     Fenômeno vivo se transforma com o tempo, tem variações por classe social, região, faixa etária, profissão etc.;
Ø     Representação identitária;
Ø     Modalidades escrita e falada, a língua escrita é produzida em situações diferenciadas da língua falada;
Ø     Convenção estabelecida pela sociedade;
Ø     Uma forma particular da linguagem, porque é com a língua que nos comunicamos e sociabilizamos;
Ø     A língua é condição para produzir a fala, não há língua sem fala;
Ø     Está no nível social, no coletivo, do conhecimento da competência;
Ø     Reflete a cultura que temos;
Ø     Sistema, conjunto de códigos;

·        Texto

Ø      Texto como frase complexa ou signo linguístico mais alto na hierarquia do sistema linguístico (concepção de base gramatical);
Ø      Texto como signo complexo (concepção de base semiótica);
Ø      Texto como expansão tematicamente centrada de        macroestruturas (concepção de base semântica);
Ø      Texto como ato de fala complexo(concepção de base pragmática);
Ø      Texto como discurso ‘congelado’, como produto acabado de uma ação discursiva (concepção de base discursiva);
Ø      Texto como meio específico de realização da comunicação verbal (concepção de base comunicativa);
Ø      Texto como processo que mobiliza operações e processos cognitivos (concepção de base cognitivista);
Ø      Texto como lugar de interação entre atores sociais e de        construção interacional de sentidos (concepção de base        sociocognitiva-interacional)”. (KOCH; 2009 – Introdução à        Linguística Textual, ed. Martins fontes)
Ø      O texto pode ser oral ou escrito. É construído no processo das relações interacionais, constituindo-se num todo significativo, independentemente de sua extensão. Sua produção/compreensão mobiliza competências não só linguísticas como também extralinguísticas (conhecimento de mundo, saber enciclopédico, determinações socioculturais, ideológicas etc).” (BRANDÃO, Helena H. Nagamine)
Ø      O Texto será entendido como uma unidade linguística concreta (perceptível pela visão ou audição), que é tomada pelos usuários da língua (falante, escritor/ouvinte, leitor), em uma situação de interação comunicativa específica, como uma unidade de sentido e como preenchendo uma função comunicativa reconhecível e reconhecida, independentemente de sua extensão. Dessa forma o texto será o resultado, o produto concreto da atividade comunicativa que se faz seguindo regras e princípios discursivos sócio-historicamente estabelecidos que têm de ser considerados.( KOCH e TRAVAGLIA, Luiz Carlos)
Ø      PCN:“Texto é o resultado linguístico da interação verbal (discurso), é um todo significativo constituído por relações de coesão e coerência, originado no interior de um outro texto (intertextualidade);
A organização textual ocorre dentro de determinado gênero discursivo por causa das intenções comunicativas (parte das condições de produção dos discursos) para usos sociais. Por serem históricos, os gêneros possuem formas relativamente estáveis e disponíveis, sendo caracterizados por conteúdo temático, construção composicional (tipos de texto) e estilo (língua; léxico e gramática). São famílias de textos, isto é, textos que possuem características (estruturas) comuns (visão geral, suporte/portador, extensão, grau de literariedade), sendo, portanto, ilimitados.
Ø      Enfim, uma concepção provisória de texto:
Na concepção interacional (dialógica) da língua, na qual os sujeito são vistos como atores/construtores sociais, o texto passa a ser considerado o próprio lugar da interação e os interlocutores, sujeitos ativos que – dialogicamente – nele se constroem e por ele são construídos. A produção de linguagem constitui atividade interativa altamente complexa de produção de sentidos, que se realiza, evidentemente, com base nos elementos linguísticos presentes na superfície textual e na sua forma de organização, mas que requer não apenas um vasto conjunto de saberes (enciclopédia), mas a sua reconstrução – e a dos próprios sujeitos – no momento da interação verbal.

BIBLIOGRAFIA:
Curso: Língua portuguesa e Literatura (lato sensu do CCL)
Prof.: Ms. Adalto Moraes de Souza